
26/11/2010


Perfil: Ana Paula Cavioli é Gerente Sênior de RH para o Brasil na Motorola. É formada em Administração de Empresas, com MBA em Gestão Estratégica de Negócios. Ana Paula está há 20 anos na área de RH, e passou por empresas como Cervejaria Kaiser e Eaton.
Este mês a Hunter entrevistou a Ana Paula Cavioli. Ela contou sobre o momento atual da Motorola, sobre o Spin-Off e o lançamento oficial das duas empresas, e os desafios de 2011.
Hunter: Você está na Motorola há 13 anos e passou por diversos momentos do negócio: start up, expansão, liderança de mercado, crises, e mais recentemente por um momento de redesenho do negócio. Como você vê sua experiência de RH passando por estes contextos tão diferentes, e em especial, quais as habilidades foram necessárias para colocar o RH a serviço do negócio?
Ana Paula: Bom, realmente estive presente em vários momentos importantes da empresa, os quais com certeza me fizeram crescer muito profissionalmente. A principal habilidade para colocar o RH a serviço do negócio foi a capacidade de entender o que estava por trás de cada mudança estratégica, de cada tomada de decisão, para que fosse possível conduzir a área de Recursos Humanos sempre com o foco nas novas necessidades. A Motorola está em um mercado altamente dinâmico, onde estes movimentos chegam a ser cíclicos, fazendo com que de tempos em tempos as empresas tenham que se reinventar. Em minha opinião, a proximidade com a liderança da empresa que me permitiu que tivéssemos um RH totalmente focado nessas necessidades.
H: Qual o momento atual da Motorola após o spin-off?
AP: A Motorola passa por um momento muito importante e positivo. A criação de duas empresas independentes cada uma com seu organograma, cada uma terá seu canal de decisão, e seus processos independentes: a Motorola Mobility, que ficou com toda a parte de telefonia celular, rádios Nextel e Modem p/ residências ; e a Motorola Solutions, que ficou com toda a parte de rádios de comunicação da polícia, Scanners, Rastreadores de Carro, etc. Essa divisão permitirá que cada uma tenha um foco maior em suas unidades de negócios.
H: Qual será o grande desafio em 2011?
AP: Acredito que nesse momento, nosso maior desafio é o aprendizado de trabalharmos de forma independente, no que se refere às duas novas empresas. Após a separação definitiva e oficial, a empresa passará por transformações ainda mais profundas no que diz respeito à marca, cultura, valores, etc.
H: Como você vê o RH atuando estrategicamente frente a este cenário?
AP: A área de Recursos Humanos tem um papel fundamental neste processo, não somente nas questões legais da transição, mas também na preparação das pessoas para esta nova etapa. É nossa responsabilidade auxiliar as novas companhias na construção de estruturas organizacionais robustas e competitivas para enfrentar esta nova realidade. Nosso papel como RH é fazer com que essa mudança seja realmente disseminada e gerida pelos nossos funcionários, de forma que esta nova cultura e nossos valores façam parte do dia-a-dia destes colaboradores.
H: Qual é o plano tático para a disseminação desta nova cultura e da nova marca?
AP: Na realidade isso está sendo trabalhado fortemente pelos EUA e no começo de dezembro iremos para lá para receber todas as informações da mudança: o que mudará, como vamos tratar a mudança com nossos funcionários, em que fase vamos entrar deste processo, quando vamos lançar nossa nova marca, etc. A partir da reunião de dezembro começaremos toda a ação de RH com os gerentes locais.
H: Você nos disse que em dezembro você vai para o EUA, mas qual a data oficial do lançamento das novas empresas?
AP: A informação oficial é que a separação está prevista para janeiro de 2011. A partir deste mês as duas empresas começam a operar separadamente. Houve uma data prévia do lançamento que foi em 1º de agosto 2010, após esta data prévia tivemos seis meses para adaptar nossos processos e para aprender a trabalhar com essa nova realidade para que efetivamente tudo estivesse pronto em janeiro.
H: Sobre as práticas de RH, o que a Motorola tem feito de melhor?
AP: A Motorola vem se destacando na preparação de novos talentos para o mercado. Com iniciativas reconhecidas e premiadas, nosso programa de estágio vem atingindo resultados significativos. Ele foca na preparação do estudante para vida profissional. Temos 2 (dois) níveis de Programa de Estágio: um deles voltado para o nível técnico e segundo grau, com foco na formação do cidadão; e um voltado para universitários, com foco na formação do profissional. Isso significativa que temos treinamentos regulares para este grupo de jovens para que eles possam se formar como cidadão e como profissional. A Motorola não tem o estagiário como mão de obra barata. Nós temos um programa para desenvolver estes jovens internamente e também para o mercado. Fazemos inclusive um acompanhamento dos gestores /mentores destes jovens durante todo o programa. Tentamos sempre entender quais as necessidades destes jovens e os desafios que buscam. Nosso compromisso é trabalhar na formação deles, por isso precisam apresentar notas regulares, precisam apresentar um projeto final no estágio com apresentação para uma banca avaliadora, entre outras obrigações.
H: Este programa já está estruturado há quanto tempo?
AP: Desde 2004. Temos uma parceria com uma consultoria externa que faz a gestão deste programa para nós.
H: E ao longo destes anos, este investimento tem efetivamente retido estes talentos na Motorola?
AP: Com certeza retém os talentos, mas para isso precisamos ter as vagas para poder transformá-lo em funcionários. Além de reter, isso cria para nós um banco de candidatos preparados para possíveis vagas futuras, porque eles já conhecem a empresa, nossos processos, e apesar da pouca idade já tem uma boa formação.
H: Para encerrar nossa entrevista, qual foi a sua maior conquista profissional?
AP: Minha maior conquista foi ter a oportunidade, quase que acidentalmente, de ingressar na área de Recursos Humanos. Ao agarrar esta oportunidade várias portas se abriram para que eu pudesse me desenvolver e crescer profissionalmente. Estou há 13 anos na mesma empresa, mas são tantos desafios e mudanças acontecendo com freqüência, que sinto como se estivesse em uma nova empresa a cada ano.
